16 de julho de 2010

A Estrada

"Quando a civilização acaba, a batalha pela sobrevivência começa."

Uma história da condição humana e das conseqüências dos atos de todos nós como seres humanos viventes neste planeta azul. Evidente que os personagens não possuem nomes próprios porque eles representam cada um de nos: homens, mulheres, crianças, pretos, brancos. Todos estão de alguma forma, representados neste drama de desesperança. Só agora escrevendo estas linhas é que percebi (a inexistência de nome dos personagens) a verdadeira amplitude do recado e da mensagem do filme. Sim, porque todo filme tem uma mensagem ou uma moral a ser divulgada (os filmes bons, evidentemente). Alguns filmes são puro entretenimento e não se preocupam (e nem deveriam) se preocupar com estas questões. Outros nem se quer merecem qualquer comentário.
Para definir o personagem principal deste filme (“o homem bom”) poderíamos usar uma palavra: Teimosia. Ou talvez duas: Teimosia e sobrevivência. Mas teimosia se aplica melhor visto que ele lutava, não por uma sobrevivência já que não tinha perspectiva de futuro, mas por pura teimosia de continuar para o Sul e quem sabe, muito remotamente, talvez encontrar algo que valesse a pena continuar a viver. Talvez esta teimosia em manter-se vivo e na estrada fosse para proteger o filho (“o garoto bom), mas nem este estava mais disposto a viver nesta miséria e com o medo de ser devorado pelo canibalismo reinante nestes tempos funestos. Assim, porque lutava e teimava em viver este homem? Fé ele não tinha... Esperanças raríssimas... Sobrevivência da espécie humana? Talvez. Mas qual o motivo de lutar por uma vivência completamente animalesca sem nenhuma gota de racionalidade, civilidade e humanismo? Instinto poderíamos supor. Mas o homem viveu por instinto na era das cavernas e evoluiu. Será que o “Homem Bom” tinha, lá no fundo da sua alma, razões para acreditar que superaríamos esta hecatombe e surgiríamos novamente como seres pensantes? Quero crer que sim, caso contrário toda a luta seria inútil e morrer a única solução.
A mulher não teve falsas esperanças e saiu porta a fora ao encontro da morte deixando para trás seu filho e marido. Pela estrada só encontravam destroços, fome, frio e morte. Muitos encontraram conforto no suicídio e outros devorados pela fome de seus semelhantes. Interessante notar que o “homem bom” tinha duas balas no revólver e estas representavam muito mais do que uma simples defesa, a certeza de poderem utilizá-las para encontrar a mãe (desejo explícito do garoto) e a segurança de uma morte rápida (desejo do homem). Pela estrada outros personagens igualmente desesperançosos vão surgindo e a certeza de que a raça humana extinguiu-se ou devorou-se. Num cenário frio, cinza de árvores desfolhadas ao chão chorar talvez seja a única maneira de pedir desculpas pela própria desgraça e entender que, apesar das lembranças em cores, o futuro é sombrio. A única certeza que tive ao ver este filme é que preciso ler o livro e entender melhor toda esta desesperança, pessimismo e encontrar alguma razão para tudo isso. Talvez um alerta. Mais um alerta neste momento em que Hollywood se volta para filmes apocalípticos. Que possamos tirar alguma lição de tudo isso e não fiquemos depois a sonhar colorido numa estrada deserta com frio, fome e medo.

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