8 de julho de 2010

Punho.

Meu rosto esta queimando de raiva. Não sinto as pernas e meus braços parecem pêndulos de chumbo. Meu coração esta prestes a explodir sua milésima batida por segundo e meus movimentos parecem lerdos, porem sei que estão mais rápidos do que nunca. O primeiro soco cai direto num daqueles olhos arregalados de ódio, ou seria medo?
- Filho-da-puta – exclama o pobre diabo – sua boca esta escorrendo saliva e sangue.
- Nunca mais aponte esse dedo imundo pra mim de novo, pois da próxima vez não serei tão bonzinho.
O moleque insolente xingou minha mãe de concubina do satã. Tentei conter a raiva mais não consegui. Mãe é mãe. Além do mais eu não sou do tipo que conta ate dez para afastar o impulso de surrar alguém. Não lhes digo que sou um cara bipolar, mas também não tenho um humor muito estável. Creio que existam tantos por ai que você já ate perdeu as contas. Mal humorados egocêntricos estão à solta, só que não sou egocêntrico. Afora os batimentos do coração nos ouvidos, enxergo apenas borrões e sinto como se um Dante surgisse dentro da minha epiderme. Essa sensação não lhe é familiar? Alguém já bolinou sua namorada ou irmã? Se não foi, um dia será. Não digo por experiência própria. Mas por puro tato. Um velho fundo de moral filosófica que me faz pensar que, afinal de contas não estamos aqui para nos divertir. Para fazer o que então? Não tenho idéia, para durar provavelmente, para matar o tempo antes que ele nos mate. E nesse caso nas horas perdidas, escrever é igual à outra ocupação qualquer. Não que eu tenha tantas horas assim a perder, sou um homem ocupado; tenho o que chamam de familia, um trabalho, responsabilidades portanto, tudo isso toma tempo, não sobra muito tempo para evocar recordações.
Minha vida sempre foi circundada por muitas brigas e surras que me edificaram no homem que sou hoje. A violência sempre fez parte de mim tão enraizada como meus punhos rasgados. Penso muito no suicídio, porem não me atrai a idéia de ver minhas pupilas dilatadas frente ao estrondo de uma bala atravessando meus neurônios um a um ate não restar apenas uma cefalóide gosmenta e repugnante.

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